16 de mar de 2016

Devo isso a mim mesma


Essa da foto ai, vestida de princesa e de sorriso sem graça, sou eu.
Tenho esse álbum que fiz, guardado na sala. Uma das fotos dele, está exposta no aparador, pra quem quiser ver quando entrar. Para mim mesma ver.

Todos os dias pela manhã, antes de começar a me arrumar pra escola, fazendo minhas orações, eu olho pra ele. Dia desses, rezando, meu pai olhou e deu uma risada e a seguinte frase saiu de sua boca "Mudou tanto né? Quem diria que essa menininha seria essa garota de hoje." e eu olhei aquele quadro fixamente por alguns minutos. Será mesmo? Será que mudou? E em um estalo, uma pergunta me veio a cabeça: Aquela menininha teria orgulho de quem se tornou hoje?

Uma menina de seis anos poderia mesmo modificar o futuro de alguém com seus pensamentos? Eu realmente deveria me basear nisso? Por que eu gasto um tempo da minha manhã pensando sobre ela? A antiga Gabi? 
Não tenho a resposta de nenhuma dessas perguntas. A questão é que eu me importo com o que ela pensaria se visse o que se tornou. Falando assim, pareço um monstro, mas não sou. São mudanças, fases da vida, mas as essências, os sonhos, o que você acredita, sempre será seu. Raramente isso se modificará.

Todos os dias antes de dormir, eu pergunto a mim mesma se me orgulho de quem estou sendo, de quem me tornei. Ao começar esse ciclo diário, as respostas eram desagradáveis. Meus amigos me diziam que as coisas mudam, é normal, que eu não deveria me preocupar. Mas eu me preocupei.

Aquela garotinha super extrovertida, que fazia amigos com facilidade e encantava a todos com seu sorriso e sua sinceridade extrema, ainda reside em mim. Internamente.
A menininha que adorava flores e amava o fato de seu aniversário ser na primavera, trazia esperança. Que falava pelos cotovelos e queria ser apresentadora de TV porque "todos merecem conhecê-la" (palavras da mesma). Que adorava fotografia, beleza, livros e histórias de amor. Ela ainda existe. Ela está aqui. Você pode vê-la, apenas olhe pra mim, olhe em meus olhos. Eu estou aqui. Mais madura. Mais velha. Um pouco menos esperançosa com a vida e seus privilégios, mas ainda estou aqui. E eu devo isso aos outros. Aos que me amam. Devo isso a mim mesma.