13 de jul de 2016

A inconstância do sentir

"A alma que Deus me deu é sensível demais para reter por muito tempo uma mesma impressão. Sou inconstante, mas sou feliz na minha inconstância, porque, apaixonando-me tantas vezes, não chego nunca a amar uma vez..."

Essa fala ai é do Augusto, personagem do livro "A Moreninha" de Joaquim Manoel de Macedo. Tive que ler esse livro para um trabalho escolar e acabei me apaixonando pela história. De certa forma eu me identifico com ele. O pensamento dele é mais ou menos esse: pegue e não se apegue, mas ele tem motivo para pensar assim: Augusto acredita que assim, não amará ninguém e assim, quando finalmente puder amar, estará pronto, preparado. Mas existe uma diferença entre mim e o Augusto: ele amou no final da história. Como eu já disse aqui antes, eu nunca amei. Até porque isso só acontece uma vez (em minha concepção). É algo grandioso demais para acontecer sempre. Quem ama tem uma sorte única na vida. É tipo ganhar na loteria da vida sabe? Não acontece com todo mundo não.

Eu sinto, e sinto muito. Sempre fui assim. Mergulhando muito fundo em gente rasa. Em momentos de dor, eu curto tudo o que posso. Não finjo que ela não existe. Mas com o amor a coisa é diferente. Fiquei atordoada diante uma oportunidade de agará-lo. Meus pés gelaram, minha mão tremiam, meu coração quase saia pela boca. Mas foi tudo passageiro. Então eu vi que não era amor. Mas e se o amor for mesmo essa inconstância dentro do nosso peito? E se eu estiver fingindo que ele não existe por puro medo? Eu não sei o que é o amor e o que ele causa em nós, meros mortais, mas sei que toda essa confusão aqui no meu peito existe e tem motivo.

O simples fato de lembrar do teu sorriso me trás arrepio no costela e uma coleção de imagens repetidas de tudo que já vivemos. Mas tudo isso ficou no passado e eu não entendo o porque de ainda mexer comigo. Se tu tiver ai, com saudades, me procura. Porque eu tô com saudades também, e sinto falta do teu cheiro na minha blusa. A minha forma de gostar é meio louca e sem sentido, é inconstante, é como o Augusto, mas no final ele foi feliz, a gente pode ser também né? E eu espero que sua resposta seja sim.